Muito obrigado por tudo Felipão


Por - 19/05/2015 às

Reprodução Google
Luiz Felipe Scolari, 66 anos, Passo Fundo-RS, poucas passagens como jogador mas como técnico conquistou a Copa do Mundo pelo Brasil em 2002, venceu a Libertadores, Copa do Brasil, Gauchão e Brasileiro pelo Grêmio e teve também passagens pelo Palmeiras, Portugal, Cruzeiro e Criciúma. Currículo recheados de títulos. Por fim, É GREMISTA. 

Biografia curtíssima de um dos maiores treinadores brasileiros. Um treinador que intensifica o grupo, mexe com o elenco, é frio, inteligente e acima de tudo, se entrega totalmente ao trabalho. Se pudesse, entraria em campo junto com os jogadores do Grêmio, marcaria, desarmaria e ainda assim subiria ao ataque marcar um gol.

Não é novidade para ninguém que ele é gremista desde criança. Não é novidade também, seu espírito copeiro que combinou e muito com o estilo Grêmio. Se adequou tão bem que na sua segunda passagem, já era ídolo, como é ainda hoje, com títulos importantes e uma fama especial, a de um treinador que fez de um time fraco tático e tecnicamente, campeão de tudo em 95. Mas os tempos mudaram, o futebol também.

Diferente de muitos jornalistas, que decretaram depois daquele vexame na Copa, que Felipão estaria velho, e precisaria urgentemente de um tempo de descanso ou até mesmo o fim da sua carreira, a presidência do Grêmio acreditou novamente no Big Phill, no seu trabalho com a base e na junção de raça com futebol.

Aquele ultrapassado, desde que assumiu o Grêmio na sua terceira passagem, ergueu não somente o time de posição, ficando perto de uma vaga na libertadores, mas também ergueu a torcida, a emoção, o carinho e a alegria de ganhar novamente um GREnal, e de goleada. Uma pena não ter conseguido a vaga na competição mais importante da América. 

Teve como "punição" dessa chance perdida, um elenco horroroso e uma política de economia e de corte de gastos no ano atual. E não conseguiu controlar a situação. Resistiu ferozmente, com um Gauchão quase perfeito, mas sem dúvida iria ser difícil a vida dele e a do Grêmio no Brasileiro com esse elenco.

Após toda derrota, vitória ou empate, nas coletivas, era nítido e as vezes clara a cobrança por reforços que são sim necessários e ao que parece, só os dirigentes não reconhecem. Não vieram, então a ideia de desistir  tem motivos concretos e provocados não por Felipão, mas pela direção péssima que o Grêmio possui. 

De própria vontade saiu hoje, cedo, levando junto seu fiel escudeiro, e os demais diretores. Saiu por que entendeu que não consegue mais transformar esse time num Grêmio que a torcida quer e merece. 

Foi bom enquanto durou, uma pena ter uma direção tão omissa a ponto de não perceber a insatisfação de um técnico GREMISTA que implorava por reforços para ter chances de vencer mais títulos do que seu arsenal já tem. 

Como torcedor, fanático, demonstrei sempre meu amor pelo nosso Felipão, o mesmo que venceu tudo, que assumiu ser gremista e que incendeia o vestiário com sua garra e raça. Com meus 16 anos, mesmo não o vendo nos anos de vitória, considero o melhor técnico que o Grêmio já teve, e meu carinho por ele vai além de somente elogios. 

Torcida em luto, futebol em luto, raça e vontade em luto, Porto Alegre em luto. As casamatas da Arena não serão mais coroadas com a ilustre presença do técnico que tanto trabalhou e tanto tentou. 

Resgato uma frase de Barcos que também pensa Felipão : "de longe, serei sempre um gremista. A torcida ganha mais um nome, mais uma pessoa, mais um fanático." E acrescento aquela frase que basicamente todos os bons jogadores ou técnicos que marcaram o nome no clube dizem "um dia eu volto". Porém, Scolari deve mesmo se aposentar, contra a vontade e a pedido da família. 

A lista dos jogadores que se entregavam em campo, honravam a camisa, jogavam pelo amor e com raça agora conta com um treinador. Zé Roberto, Barcos, Dudu, Alan Ruiz, Pará e agora Felipão. 

Pouco a pouco essa direção infantil vai apequenando e transformando o Grêmio num clube que lutará por coisas mínimas, e que pode passar sufoco. Saíram os bons, entraram os ruins e os mercenários. São poucos os que se entregam, e são poucos os que são dignos de vestir a camisa do clube com tantas façanhas e títulos.

Felipão foi digno, fez por valer a confiança de todos e da torcida, e hoje, com sua saída só deixa a situação mais precária. Emocionalmente perdemos muito, o que nós ganhamos e a esperança de talvez uma pequena mudança dentro de campo. 

Obrigado Felipão, obrigado por tudo, seremos sempre vossos fãs e tu serás sempre o comandante tricolor. 

Tua história é brilhante, teu caráter esplêndido, tua vida tem marcas gremistas e seu espírito é copeiro. Leve junto sempre o amor dos gremistas e todos nós torcedores levaremos você no coração e na alma. 

OBRIGADO, MUITO OBRIGADO! 
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